eu ainda sinto falta dela...
do beijo
do cheiro
da chuva
da pele branca
da saia amarela
...ainda sinto falta dela
de esperar a chegada como criança
com ansia olhando pela janela
de banho tomado, cabelo penteado, dente escovado
perfumado
pronto pra receber o amor quem vem com ela
...sinto falta dela
das cores que se roçavam noite adentro
dos ruídos que vazavam quarto a fora
do suor e o findar do prazer que encharcavam os lençóis
a falta, e que falta de nós
...falta dela
falta ela
falta o lírio
cuidando da alfazema
falta um pedaço por dentro
falta um corpo no ninho
na verdade falta o dela
há tempos não durmo sozinho
mas a falta é só saudade
e a saudade é uma caixa de memória
que tapa o buraco que a falta faz no peito
com lembranças da nossa história
segunda-feira, 25 de março de 2013
terça-feira, 19 de março de 2013
doou amor
dera o amor
quem dera o amor mudasse a nação
interroga o peito
pra ver se tem jeito
o que e a quem dará então?
teremos sol
traremos chuvas
se vão poluentes
vão entre nuvens
e bem baixinho
aos pés, nascentes
quisera o mar
olhar nadar
ar
areia escorre as mãos
jorrar segredos
sagrados medos
águas entoarão
se pede vento
e quer alento
peça contrário então
brisa no peito
cabelos que voam
sem vento
me esquentam, ou não
pontinho estreito
(estreito são meus olhos)
que vaza as brechas
pequena luz
grudou no breu
como vagalumes
enfeita e tanto
invés de ar, o céu
...
dera o amor
quem dera o amor mudasse a nação
interroga o peito
pra ver se tem jeito
o que e a quem dará então?
teremos sol
traremos chuvas
se vão poluentes
vão entre nuvens
e bem baixinho
aos pés, nascentes
quisera o mar
olhar nadar
ar
areia escorre as mãos
jorrar segredos
sagrados medos
águas entoarão
se pede vento
e quer alento
peça contrário então
brisa no peito
cabelos que voam
sem vento
me esquentam, ou não
pontinho estreito
(estreito são meus olhos)
que vaza as brechas
pequena luz
grudou no breu
como vagalumes
enfeita e tanto
invés de ar, o céu
...
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
Um!
coração é desconhecido
amigo, o coração é amigo
ele bate sem cessar
sem pedir nem perguntar
porquê?
só bate, bate, bate... por você
palpitou por sentir
palpitou por não sentir mais
palpitou sozinho
coração sofreu
sem paz
o silêncio pairou
só podia ouvir as batidas
por dentro
no compasso
forte
sem mais sentir o peso
do seu corpo em peito
e seu coração colado ao meu
naquele momento
em mim só o silêncio
e não mais você e eu
nas batidas
meu silêncio
uníssono som
meus sonhos
o amor
não divido mais contigo
sua morada
seu abrigo
não sou eu mais quem dou
agora tenho a mim
meu coração
e em silêncio
meu amor
amigo, o coração é amigo
ele bate sem cessar
sem pedir nem perguntar
porquê?
só bate, bate, bate... por você
palpitou por sentir
palpitou por não sentir mais
palpitou sozinho
coração sofreu
sem paz
o silêncio pairou
só podia ouvir as batidas
por dentro
no compasso
forte
sem mais sentir o peso
do seu corpo em peito
e seu coração colado ao meu
naquele momento
em mim só o silêncio
e não mais você e eu
nas batidas
meu silêncio
uníssono som
meus sonhos
o amor
não divido mais contigo
sua morada
seu abrigo
não sou eu mais quem dou
agora tenho a mim
meu coração
e em silêncio
meu amor
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
Segredo!
temo em manter-me por perto
tento afastar-me agora
não que eu não queira ficar
consigo ficar e manter-me assim
sem medo
a flor da-pele-amiga
tenra e quente
mas tenho pena
pena de deixar evaporar
o que um dia poderia fluir
e ser intenso
aos olhares e não só a pele
o único medo que me cabe
é repelir-te de mim
atenho-me aos gestos
atento-me a voz
quero esses olhares
pequenos e transparentes
pra mim
ao pensar assim posso dar um fim
então padeço
só o que peço é apresso
essa mútua ação
quando os braços envolvem
e me deita no peito
tem a mim
e ao meu coração
tento afastar-me agora
não que eu não queira ficar
consigo ficar e manter-me assim
sem medo
a flor da-pele-amiga
tenra e quente
mas tenho pena
pena de deixar evaporar
o que um dia poderia fluir
e ser intenso
aos olhares e não só a pele
o único medo que me cabe
é repelir-te de mim
atenho-me aos gestos
atento-me a voz
quero esses olhares
pequenos e transparentes
pra mim
ao pensar assim posso dar um fim
então padeço
só o que peço é apresso
essa mútua ação
quando os braços envolvem
e me deita no peito
tem a mim
e ao meu coração
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
Talvez. Talvez, algum dia, faça sentido...
correndo da sensação
fugindo
olhos mareados
caindo
intensa vontade de se dar
e ver
tremendo querer
querer que tudo se dê
dê certo
ei de ter
viro do avesso
o peito
engolir a seco
gestos incabíveis
incabíveis modos
ao meu ver
mas meus olhos estão mareados
cheios de mar
não vejo direito
não ouço direito
penso com o peito
sem jeito
eu tenho o direito de sentir
sentir ainda vai me consumir
me atento
atento ao seu jeito de ser
me trava a garganta
soluços
a tempestade que cai
dos olhos
em meu rosto
ao peito
e seca
eu nunca estou seca
entreter meu pensamento com paz
esvair-se
fugir
fugaz
sentimento sem contento
como-entender-te?
como-entender-me?
como-entender-nos?
atenho-me aos gestos
olhar sexual
entendo-me com toques
te toco sem fim
ao mundo, a tudo, a mim
a ti, cabe dizer
a-mim-cabe-viver
sentir ambíguo querer
temo sei não o que
temo temer
desprender-me do apego, então
desato o nó no peito
mas não tem jeito
eu não tenho jeito
eu tenho sentimentos
eu tenho sentimentos
eu tenho-os sentido
aqui
dentro de mim
com um furacão no peito
me assumo
quero o sumo
quero líquido
quero rígido
quero cheiro
quero pecar-te
então
quero pegar
quero comer
quero sucumbir
ao seu coração
e não mais ficar sem jeito
e não mais sentir invão
quero sentir o vão entre as suas
quero acabar com o vão entre nós
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
acredito (quase que piamente) que sei o que quero, que estou firme
justifico (a mim mesma) o porquê de todos os sentimentos que sinto agora
e que por algum motivo não cabem na minha razão (e quase não mais dentro de mim)
dissolvo palavras jogando-as ao vento
em conversas infundadas e infinitas
a palavra dividida pesa menos
por isso
e então só por isso me confesso
confesso-me então a estranhos que não me ouvem
estrangeiros que não me entendem
distraídos que não me vêem
ouvintes que só ouvem o que querem
assim me despedaço
me espalho um pouco no mundo
tiro metade do peso das palavras
por proferir metade só doou palavras leves
não é por você
não é pelo mundo
nem mesmo por mim
que carrego esse monte poeira
sou água corrente
e a poeira me acode
pelo simples fato de saber sentir
sinto tudo
pelo dom de poder sumir
apareço
por instinto posso engolir
e cuspo
por vontade de lembrar você
esqueço
então jogo palavras ao vento
meto palavras no mundo
jorro na ânsia de não transbordar
...
transbordar me insinua o desejo
desejo diário de me apaixonar
se então acreditar no que sinto
entrego o coração ao tempo
e junto vão palavras e destino
segurarei o coração no peito
antes que ele pule pra fora
sem pedir nem avisar
e os leões que esperam com inocência
comecem então a me devorar
em conversas infundadas e infinitas
a palavra dividida pesa menos
por isso
e então só por isso me confesso
confesso-me então a estranhos que não me ouvem
estrangeiros que não me entendem
distraídos que não me vêem
ouvintes que só ouvem o que querem
assim me despedaço
me espalho um pouco no mundo
tiro metade do peso das palavras
por proferir metade só doou palavras leves
não é por você
não é pelo mundo
nem mesmo por mim
que carrego esse monte poeira
sou água corrente
e a poeira me acode
pelo simples fato de saber sentir
sinto tudo
pelo dom de poder sumir
apareço
por instinto posso engolir
e cuspo
por vontade de lembrar você
esqueço
então jogo palavras ao vento
meto palavras no mundo
jorro na ânsia de não transbordar
...
transbordar me insinua o desejo
desejo diário de me apaixonar
se então acreditar no que sinto
entrego o coração ao tempo
e junto vão palavras e destino
segurarei o coração no peito
antes que ele pule pra fora
sem pedir nem avisar
e os leões que esperam com inocência
comecem então a me devorar
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
sentir - ouvir - olhar- ver - viver
ele tinha pressa
muita pressa
sempre as pressas
corria numa reta
girava numa curva
desviava por instinto
tinha a vista turva
pois não via
não ouvia
nada além
corria corria corria corria
não olhava os lados
não olhava os olhos
não via o caminho
só conseguia ver a frente
pois mirava o destino
depois de tanto correr
chegou ao destino tão desejado
acabou a pressa e então percebeu
o destino tornou-se o presente
tinha pressa em viver e não viveu
tinha pressa de chegar e só correu
não degustou o caminho
correu sozinho sozinho sozinho
não teve história pra contar quando chegou
então chorou
murmurou
e agora, com calma, a devagar
pelo mesmo caminho voltou
sem pressa
sem corrida
saiu da chegada
...
começou a vida
muita pressa
sempre as pressas
corria numa reta
girava numa curva
desviava por instinto
tinha a vista turva
pois não via
não ouvia
nada além
corria corria corria corria
não olhava os lados
não olhava os olhos
não via o caminho
só conseguia ver a frente
pois mirava o destino
depois de tanto correr
chegou ao destino tão desejado
acabou a pressa e então percebeu
o destino tornou-se o presente
tinha pressa em viver e não viveu
tinha pressa de chegar e só correu
não degustou o caminho
correu sozinho sozinho sozinho
não teve história pra contar quando chegou
então chorou
murmurou
e agora, com calma, a devagar
pelo mesmo caminho voltou
sem pressa
sem corrida
saiu da chegada
...
começou a vida
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