segunda-feira, 15 de abril de 2013

Descrito

Acorda com um sorriso acanhado
Me olha com olhar profundo
Quando estamos a sós, despeço-me do resto do mundo
Caminha com leveza
Como quem caminha sobre flores
Transpira vida em movimentos
Transborda em cores
De dia fala com calma
Em solos transcende a alma
A noite a risada é alta
Fala descontraída, feito criança em brincadeira
Com ela quero dias, noites e horas inteiras
Dorme feito princesa
Respira gostoso, sem nenhum barulinho
Sinto sua presença o dia todo
Depois de você, nunca mais fui sozinho
Inflama os sentimentos
Transpõe a intensidade
Se eu já te amava antes...
Imagine agora que passou a tempestade
Quero te ninar, e tirar todos os seus medos
Quero te ver dançar
Não terei tantos segredos
Eu vou te contar, e juro, não é brincadeira
No primeiro olhar, vi seu corpo dançar
O mundo é seu, minha pequena


... Eu quero tudo
Eu quero pouco
Eu quero mais e não demora
A vida que te trouxe
Que te carregue
Saudade se esvai
A partir de agora

Que de todo fim venha um lindo começo
Recomeço
Recoméço
Mereço





segunda-feira, 25 de março de 2013

A caixa e o buraco

eu ainda sinto falta dela...

do beijo
do cheiro
da chuva
da pele branca
da saia amarela

...ainda sinto falta dela

de esperar a chegada como criança
com ansia olhando pela janela
de banho tomado, cabelo penteado, dente escovado
perfumado
pronto pra receber o amor quem vem com ela

...sinto falta dela

das cores que se roçavam noite adentro
dos ruídos que vazavam quarto a fora
do suor e o findar do prazer que encharcavam os lençóis
a falta, e que falta de nós

...falta dela
falta ela
falta o lírio
cuidando da alfazema
falta um pedaço por dentro
falta um corpo no ninho
na verdade falta o dela
há tempos não durmo sozinho
mas a falta é só saudade
e a saudade é uma caixa de memória
que tapa o buraco que a falta faz no peito
com lembranças da nossa história



terça-feira, 19 de março de 2013

doou amor
dera o amor
quem dera o amor mudasse a nação
interroga o peito
pra ver se tem jeito
o que e a quem dará então?

teremos sol
traremos chuvas
se vão poluentes
vão entre nuvens
e bem baixinho
aos pés, nascentes

quisera o mar
olhar nadar
ar
areia escorre as mãos
jorrar segredos
sagrados medos
águas entoarão

se pede vento
e quer alento
peça contrário então
brisa no peito
cabelos que voam
sem vento
me esquentam, ou não

pontinho estreito
(estreito são meus olhos)
que vaza as brechas
pequena luz
grudou no breu
como vagalumes
enfeita e tanto
invés de ar, o céu

...










quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Um!

coração é desconhecido
amigo, o coração é amigo
ele bate sem cessar
sem pedir nem perguntar
porquê?
só bate, bate, bate... por você
palpitou por sentir
palpitou por não sentir mais
palpitou sozinho
coração sofreu
sem paz
o silêncio pairou
só podia ouvir as batidas
por dentro
no compasso
forte
sem mais sentir o peso
do seu corpo em peito
e seu coração colado ao meu
naquele momento
em mim só o silêncio
e não mais você e eu
nas batidas
meu silêncio
uníssono som
meus sonhos
o amor
não divido mais contigo
sua morada
seu abrigo
não sou eu mais quem dou
agora tenho a mim
meu coração
e em silêncio
meu amor









segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Segredo!

temo em manter-me por perto
tento afastar-me agora
não que eu não queira ficar
consigo ficar e manter-me assim
sem medo
a flor da-pele-amiga
tenra e quente
mas tenho pena
pena de deixar evaporar
o que um dia poderia fluir
e ser intenso
aos olhares e não só a pele
o único medo que me cabe
é repelir-te de mim
atenho-me aos gestos
atento-me a voz
quero esses olhares
pequenos e transparentes
pra mim
ao pensar assim posso dar um fim
então padeço
só o que peço é apresso
essa mútua ação
quando os braços envolvem
e me deita no peito
tem a mim
e ao meu coração





terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Talvez. Talvez, algum dia, faça sentido...


correndo da sensação
fugindo
olhos mareados
caindo
intensa vontade de se dar
e ver
tremendo querer
querer que tudo se dê
dê certo
ei de ter
viro do avesso
o peito
engolir a seco
gestos incabíveis
incabíveis modos
ao meu ver
mas meus olhos estão mareados
cheios de mar
não vejo direito
não ouço direito
penso com o peito
sem jeito
eu tenho o direito de sentir
sentir ainda vai me consumir
me atento
atento ao seu jeito de ser
me trava a garganta
soluços
a tempestade que cai
dos olhos
em meu rosto
ao peito
e seca
eu nunca estou seca
entreter meu pensamento com paz
esvair-se
fugir
fugaz
sentimento sem contento
como-entender-te?
como-entender-me?
como-entender-nos?
atenho-me aos gestos
olhar sexual
entendo-me com toques
te toco sem fim
ao mundo, a tudo, a mim
a ti, cabe dizer
a-mim-cabe-viver
sentir ambíguo querer
temo sei não o que
temo temer
desprender-me do apego, então
desato o nó no peito
mas não tem jeito
eu não tenho jeito
eu tenho sentimentos
eu tenho sentimentos
eu tenho-os sentido
aqui
dentro de mim
com um furacão no peito
me assumo
quero o sumo

quero líquido
quero rígido
quero cheiro
quero pecar-te
 então
quero pegar
quero comer
quero sucumbir
ao seu coração
e não mais ficar sem jeito
e não mais sentir invão
quero sentir o vão entre as suas
quero acabar com o vão entre nós