eu me calei
eu falei baixo
eu falei brando
eu disse
eu gritei
e você não ouviu meu grito de socorro
a cada esquina eu morro
a cada esquina chora Chica, Maria, chora Rita
tentei explicar pra você, rapaz
que de boa intenção o inferno tá cheio
minha feminilidade não te refere
o meu nú não te pertence
o meu corpo não te fere
o meu sexo não existe pra te servir
eu me mostro pra mim mesma
o seu "elogio" causa uma imensidão de atos
feito efeito dominó e cai sobre mim, sobre nós
sobre todas nós a cada passo
a rua também me pertence
eu sinto o que você sente
sou igual
entendeu não?
não trisca, não rela, não me Toque!
a menos que eu permita
a minha alma grita toda vez que uma mulher é violada
o feminismo não te odeia
o feminismo não te quer mal
o feminismo quer que morra toda essa cultura patriarcal
eu vivi até pouco numa prisão
com tantas mulheres aprendi que não preciso passar por humilhação
pelo que sou
pelo que sei
pela minha cor
pelo meu sexo
sexo frágil só na fragilidade da sua visão
ignora o movimento que eu faço no mundo
eu não te ameaço eu somo a tudo
e quando você some, sou eu que crio o novo mundo
com um pedaço do mundo dentro de mim
ainda sim consigo o sustento com suor do trabalho
a dor no pé na barriga
a barriga pesando as costas
enquanto nos olhos lágrimas
os seios jorrando leite
e eu limpando a sujeira que você deixou
enquanto você vai viver o mundo
eu crio um mundo inteiro dentro de mim
você não reconhece
a sociedade não reconhece
hoje reconheço a força que existe aqui
tenho uma legião de mulheres junto a mim
eu as reconheço, elas me reconhecem, nós reconhecemos na nossa luta
que há tantas décadas, apenas acabou de começar
.
minha eterna gratidão a todas as mulheres que me fazem sentir
que eu nunca estou sozinha
sábado, 30 de julho de 2016
terça-feira, 19 de julho de 2016
quando o mundo invade a vida
já parti mil corações
já tive meu coração partido em mil pedaços
carrego um mundo inteiro dentro de mim
preciso deixar bagagens no caminho
mala pesada me faz caminhar a passos lentos
meus pés doem
o peito pesa ao vento leve que me toca
preciso içar a vela que me leva a navegar
só o chão já não me basta
minhas asas estão cansadas
recorro ao mar
as ondas que me poupam o corpo
a água que liberta meu espirito
o sol que aquece o meu cavalo
a passos largos caminho sobre o mar
vento leve sopra o furacão que me habita
dentro
tempo ajuste a minha mente ao presente
eu quero descansar o meu sentir
o mundo as vezes me dói
não quero mais minhas vestes cheias de poeiras passadas
vistas
tocadas
toco mil vidas com meus olhos
sinto mil mentes em meus sonhos
recebo respostas sem nem mesmo questionar
pára um pouco os ponteiros
eu que sempre fui ligeiro
hoje quero descansar
sigo cochichando ao pé do ouvido
do meu peito explodido
que precisa respirar
sem fumaça tóxica
sem informações excessivas
sem poluição sonora
tanta intensidade
sensitividade
intensa-idade
a sabedoria vai descansar
os ouvidos
o peito
o passo
o nó desatar
desabafar
desconectar
desacelerar
descriminar
em tudo pede ar
então respira
e deita
mergulha
levanta com fé e sonha
com um dia novo ao desafogar
já tive meu coração partido em mil pedaços
carrego um mundo inteiro dentro de mim
preciso deixar bagagens no caminho
mala pesada me faz caminhar a passos lentos
meus pés doem
o peito pesa ao vento leve que me toca
preciso içar a vela que me leva a navegar
só o chão já não me basta
minhas asas estão cansadas
recorro ao mar
as ondas que me poupam o corpo
a água que liberta meu espirito
o sol que aquece o meu cavalo
a passos largos caminho sobre o mar
vento leve sopra o furacão que me habita
dentro
tempo ajuste a minha mente ao presente
eu quero descansar o meu sentir
o mundo as vezes me dói
não quero mais minhas vestes cheias de poeiras passadas
vistas
tocadas
toco mil vidas com meus olhos
sinto mil mentes em meus sonhos
recebo respostas sem nem mesmo questionar
pára um pouco os ponteiros
eu que sempre fui ligeiro
hoje quero descansar
sigo cochichando ao pé do ouvido
do meu peito explodido
que precisa respirar
sem fumaça tóxica
sem informações excessivas
sem poluição sonora
tanta intensidade
sensitividade
intensa-idade
a sabedoria vai descansar
os ouvidos
o peito
o passo
o nó desatar
desabafar
desconectar
desacelerar
descriminar
em tudo pede ar
então respira
e deita
mergulha
levanta com fé e sonha
com um dia novo ao desafogar
sexta-feira, 24 de junho de 2016
quarta-feira, 22 de junho de 2016
se entregou
e transbordou
entrou em mim
entrou em transe
ficou em extase
finquei as mãos no mar
por entre as bandas dalí
por entre as bandas de lá
friccionamos a pele
o ato de trasnpôr
esfregamos na cara do mundo
a forma de deixa-lo de lado
o jeito de ter a metade
e não se arriscar a dor
ficamos entrelaçados
e o tempo parou
ficamos a beira
ficamos de lado
e pelas ventas saltavam errupção
eu respirei você
eu engoli você
pra te fazer canção
saímos pela porta do amar
sem transoformar a amor
me fez incendiar
eu me fiz paixão
e quando eu acordei
só tinham lençóis
um travesseiro
e um vão
e transbordou
entrou em mim
entrou em transe
ficou em extase
finquei as mãos no mar
por entre as bandas dalí
por entre as bandas de lá
friccionamos a pele
o ato de trasnpôr
esfregamos na cara do mundo
a forma de deixa-lo de lado
o jeito de ter a metade
e não se arriscar a dor
ficamos entrelaçados
e o tempo parou
ficamos a beira
ficamos de lado
e pelas ventas saltavam errupção
eu respirei você
eu engoli você
pra te fazer canção
saímos pela porta do amar
sem transoformar a amor
me fez incendiar
eu me fiz paixão
e quando eu acordei
só tinham lençóis
um travesseiro
e um vão
quinta-feira, 16 de junho de 2016
segunda-feira, 23 de maio de 2016
síntese
eu gost-ar-ia de dizer que já encontrei o caminho
mas ele continua
incerto
estreito
escuro
construí um muro
esmurro o oco
aturo o tempo vazio
meu peito quer puls-ar o sangue
meu corpo quer ferver o leite
minhalma quer jorr-ar
eu quero transbord-ar
preciso respir-ar
quero continu-ar
me deixe ilumin-ar o céu do chão
me faça não viver pra sempre invão
me ajude a reverter a dor
eu quero exclarm-ar o amor
rezo uma prece com fervor e devoção
a todos os santos que pude conhecer
pedindo auxílio exclussão
pedi pra eu me ter
ao te dizer sim, eu disse não pra mim
só eu posso mut-ar
só eu posso me am-ar
de dentro pra fora metarmofose-ar
e parafrase-ar o ritmo que estou
se vou desconexo
cutuo meu sexo
e voou
mas ele continua
incerto
estreito
escuro
construí um muro
esmurro o oco
aturo o tempo vazio
meu peito quer puls-ar o sangue
meu corpo quer ferver o leite
minhalma quer jorr-ar
eu quero transbord-ar
preciso respir-ar
quero continu-ar
me deixe ilumin-ar o céu do chão
me faça não viver pra sempre invão
me ajude a reverter a dor
eu quero exclarm-ar o amor
rezo uma prece com fervor e devoção
a todos os santos que pude conhecer
pedindo auxílio exclussão
pedi pra eu me ter
ao te dizer sim, eu disse não pra mim
só eu posso mut-ar
só eu posso me am-ar
de dentro pra fora metarmofose-ar
e parafrase-ar o ritmo que estou
se vou desconexo
cutuo meu sexo
e voou
segunda-feira, 18 de abril de 2016
caso de urgência
quando sinto que posso esquecer algum detalhe
passo no mercado, na fileira de shampoos
só pra sentir seu cheiro de novo
como naquela manhã pós-banho
quando eu saí com você em mim
.
e seu cheiro me seguindo pelo caminho
.
escorrendo pelo meu corpo
.
e o perfume se agravando com o vento que batia em meus cabelos
(o mesmo vento que fechou a sua porta)
.
.
abro-o como um pote de memórias
cheiro vagarosamente, como se meu rosto tocasse seus cabelos
e é como se você estivesse ali
aqui
em mim
não penso em usar (nem em fugir)
porque artifícios assim só podem ser usados em casos de urgência
casos sérios
como peder algum segundo das poucas horas
como peder algum segundo das poucas horas
a memória é tudo que eu tenho de você
então eu escrevi esse poema
pra não esquecer tudo o que eu senti
quando suas luzes amarelas
tocaram em mim
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