terça-feira, 4 de outubro de 2016

Presente de Ana

empresto o fogo para que me devolva em brasa
queima o tabaco pra não queimar a sala
assim de cara
me conta a história do mundo como se fosse sua
isso você faz como ninguém
as palavras cabem tão bem em sua boca que não entendo quem é o autor
desse conto, desses olhos que a Ana me mostrou
.
desce e deixa o perfume espalhado em meu pescoço
dança e se encosta inteira no meu plexo
confunde a minha cabeça que roda mais que meu corpo
me pede calma, e conta o tempo
gira comigo nesse xote enquanto o mundo, insiste em olhar
olha nos meus olhos, esquece a vida, deixa menina, o corpo falar
.
eu te levo tão bem, porque você me faz dançar
eu te toco meu bem, até o corpo transbordar
antes que o frio acorde o nosso peito quente
antes que o dia a dia venha afastar a gente
.
te peço um carinho
e vou embora de mansinho antes de o dia clarear
então caminho entre névoas pensando na gente
agradecendo o presente que foi ter você em mim
mandei flores coloridas pra retribuir o dia que me fez enrubescer
e as pequenas rosas brancas pra proteger sua semente
voa pra compôr, lindas canções de amor banhadas em água e sal
te desejo notas lindas, e palavras que te caibam como no dia de Ana fez
eu voou pra o lado imaginário, onde o tempo roda ao contrário
e eu te vejo outra vez



Presente de Ana

empresto o fogo para que me devolva em brasa
queima o tabaco pra não queimar a sala
assim de cara
me conta a história do mundo como se fosse sua
isso você faz como ninguém
as palavras cabem tão bem em sua boca que não entendo quem é o autor
desse conto, desses olhos que a Ana me mostrou
.
desce e deixa o perfume espalhado em meu pescoço
dança e se encosta inteira no meu plexo
confunde a minha cabeça que roda mais que meu corpo
me pede calma, e conta o tempo
gira comigo nesse xote enquanto o mundo, insiste em olhar
olha nos meus olhos, esquece a vida, deixa menina, o corpo falar
.
eu te levo tão bem, porque você me faz dançar
eu te toco meu bem, até o corpo transbordar
antes que o frio acorde o nosso peito quente
antes que o dia a dia venha afastar a gente
.
te peço um carinho
e vou embora de mansinho antes de o dia clarear
então caminho entre névoas pensando na gente
agradecendo o presente que foi ter você em mim
mandei flores coloridas pra retribuir o dia que me fez enrubescer
e as pequenas rosas brancas pra proteger sua semente
voa pra compôr, lindas canções de amor banhadas em água e sal
te desejo notas lindas, e palavras que te caibam como no dia de Ana fez
eu voou pra o lado imaginário, onde o tempo roda ao contrário
e eu te vejo outra vez



sábado, 10 de setembro de 2016

a gota

trago de verdades insanas
soma de metades inteiras
junção de migalhas amanhecidas
quem come farelo tem asas, e voa
se vive a espreita do amor não quer inteiro
se vivo a espera do amor sou tolo
sacode o mundo inteiro por dentro
apruma o peito e parte o tudo
e vai ligeiro a rua e corre e grita
e morre na avenida
e corre na estrada
em busca da vida que existe lá não sei onde
pro lado contrário da história que morreu há pouco
e pede um porto quando cansar de correr
e grita porque cansou de escutar
e chora quando cansar de conter
o rio que corre pro amar

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

desencontro a cores


eu não sei quem você é
não sei de onde veio
nem pra onde vai
...
por vários anos cruzei suas cores no meu quintal
e não pisei no futuro
acho que a vida avisa os passos
.
passado tempo me vi de frente
vento girando no compasso
.
ser gente consiste em respeitar
quando cruzo caminhos
peço licença a encruzilhada
com um pé atrás e o outro no chão
.
fico onde sou bem quista
atravesso a estrada quando olho envolta
a travessia é justa a intenção
.
se atravessei foi porque não te vi no caminho
no espaço
nem naquele coração
.
não havia ninguém além de nós
marcou meu peito marquei o canto
revirados lençóis
.
taças e quinquilharias amanhecidas
esquecidas
ansiedade precedia a colisão
.
no sol de carnaval três batidas
sincronizadas
a porta aberta arritmia
bateria na calçada
.
enquanto muito de mim lá dentro
nada de mim em mim lá fora
eu parti vazio a interrogação
.
seu peito chorava num abraço
meu corpo vagava oco
desencontro intenso do encontro a intenção
.
quarta cinza de silêncio
respeitando o sentimento
entendendo a invasão
.
virou as costas esperando afago
eu de frente esperando o abraço
peito aberto abraçou a confusão
.
e lutei por ela
chorei com ela
enquanto contando os cacos você esperava reação
.
finca o pé no mundo
ando pra o lado contrário ao seu
mas os ponteiros seguem o mesmo caminho
se nos desencontrarmos de novo
seja de verdade
e recolha o abraço avesso que me deu

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

ser inteiro

aparta o peito e pára
aporta o veleiro no meu porto
sou porto seguro
segura no amor
não bota ancora na água
se teu desejo é navegar
pede ao vento o voou
na proa do seu barco a vela
apronto um canto quente
seco seu pranto em meio ao mar
serei no seu barco passageiro
mas não será como fevereiro
desse barco, amor, eu não vou saltar

domingo, 31 de julho de 2016

decoração de fragmentos

quantas amoras caem do pé e se vão?
recorto o tempo e dobro
macramé decoração
pra ver se enxerga o espaço tempo em branco
a olhar de frente o vazio do papel peito
vê se encontra todos os nós
pensando em entender
entendendo o passar
mas no momento do sentir
só resta receber e respirar
pra ver se vai
pra ver se vem
pra ver se tem silêncio
vento em música assovio
que me embalam os vôos
as notas doces são gentis
acarinham a pele amor
enquanto plano aqueço
quanto ao plano esqueço
raciocínio se esvai
eu só a sentir
deixo o parto parir um começo
de repente a gente aprende com o novo
fecha os olhos
sente o vento de mãos dadas com o sol
deita no colo da terra que abraça a grama verde
e deixa a alma aterrissar
deixa que vá
deixa o corpo em vôo
deixa pra lá
o que já deixou






sábado, 30 de julho de 2016

eu me calei
eu falei baixo
eu falei brando
eu disse
eu gritei
e você não ouviu meu grito de socorro
a cada esquina eu morro
a cada esquina chora Chica, Maria, chora Rita
tentei explicar pra você, rapaz
que de boa intenção o inferno tá cheio
minha feminilidade não te refere
o meu nú não te pertence
o meu corpo não te fere
o meu sexo não existe pra te servir
eu me mostro pra mim mesma
o seu "elogio" causa uma imensidão de atos
feito efeito dominó e cai sobre mim, sobre nós
sobre todas nós a cada passo
a rua também me pertence
eu sinto o que você sente
sou igual
entendeu não?
não trisca, não rela, não me Toque!
a menos que eu permita
a minha alma grita toda vez que uma mulher é violada
o feminismo não te odeia
o feminismo não te quer mal
o feminismo quer que morra toda essa cultura patriarcal
eu vivi até pouco numa prisão
com tantas mulheres aprendi que não preciso passar por humilhação
pelo que sou
pelo que sei
pela minha cor
pelo meu sexo
sexo frágil só na fragilidade da sua visão
ignora o movimento que eu faço no mundo
eu não te ameaço eu somo a tudo
e quando você some, sou eu que crio o novo mundo
com um pedaço do mundo dentro de mim
ainda sim consigo o sustento com suor do trabalho
a dor no pé na barriga
a barriga pesando as costas
enquanto nos olhos lágrimas
os seios jorrando leite
e eu limpando a sujeira que você deixou
enquanto você vai viver o mundo
eu crio um mundo inteiro dentro de mim
você não reconhece
a sociedade não reconhece
hoje reconheço a força que existe aqui
tenho uma legião de mulheres junto a mim
eu as reconheço, elas me reconhecem, nós reconhecemos na nossa luta
que há tantas décadas, apenas acabou de começar
.
minha eterna gratidão a todas as mulheres que me fazem sentir
que eu nunca estou sozinha